
O telefone toca. Desconhecido. Será que é você? O coração dispara, as pernas tremem e bate aquela vontade de não atender.
Alô?
Tu tu tu... desligam.
Não, não é você.
Devo procurar uma desculpa e te ligar? Será que preciso mesmo ouvir sua voz? Não! Sou forte, não preciso disso.
Não, não sou forte. A emoção, mais uma vez, está ganhando da razão. Caramba, onde tá meu celular? Digito o número quase não aguentando de tanta ansiedade. Chama uma vez. Mais uma. Outra... ninguém atende. Ligo compulsivamente na esperança de ouvir, mesmo que pela última vez, o teu som. Finalmente, a tua voz rouca responde do outro lado da linha.
Oi?
Dou uma bela risada. Claro que você não entendeu nada; nem precisava. Apenas eu precisava entender (e entendi): estou curada de você.
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