A vida te prega peças enormes. Você faz de tudo pra não se apaixonar, constrói barreiras aparentemente intransponíveis, fecha seu coração e sua cabeça para qualquer tipo de relacionamento. Por um tempo parece que tudo corre perfeitamente bem. Você se sente forte, independente, frio(a). Mas o tempo (in)felizmente passa rapidamente e a realidade bate a sua porta. Carência, necessidade, angustia. Quem precisa de carinho, simplesmente PRECISA. Mesmo com essa angústia que tenta destruir seu mais profundo desejo de não se apaixonar, você não se deixa abater e luta com todas as suas forças. Tenta ser forte. Entretanto, não demora muito e o desejo do sentimento fala mais alto. Alguém aparece na sua vida. No começo, sua maior vontade é de matá-lo(a). Afinal, ele está destruindo todo o esforço que, mesmo com muita dor, você fez. Mas o estrago já está feio. Com poucas palavras, algumas mensagens e um “boa noite” antes de dormir, você se vê de cara com o mais doloroso dos sentimentos: a paixão. A mesma paixão que vem mesmo sem a sua autorização. Uma verdadeira criminosa, diga-se de passagem. Rouba-te o sono, priva-te da realidade, mata-te com veemência todos os dias. Ela te tira o poder da decisão, você está completamente envolto em suas algemas. Ah, essa desgraçada! Então, finalmente, mesmo depois de vários “rounds” de uma luta pra lá de violenta, você se rende a ela.
Rende-se. Literalmente. Você está preso(a), acorrentado(a) como um cachorrinho que destruiu o sofá da sala. Mas, diferente do cãozinho, você não tenta se soltar. Muito pelo contrário. Você está cada vez mais atado; não há como fugir: “o que está feito, está feito”. Você quer beijar, abraçar, sentir o toque daquela pessoa todos os dias. Se você for mulher, escreve o nome dele com coraçõezinhos por todo o caderno; caso seja homem, lembra dela a todo momento, mas o orgulho masculino não te permite dar o braço a torcer. Tudo está – aparentemente – bem. Até que...
Como num passe de mágicas, tudo acaba. Mas não foi a paixão que acabou. Acabaram as forças. As forças para lutar, para seguir em frente.
E, de novo, você se vê sozinho(a), tentando reconstruir aquela barreira para, de novo, vir alguém e destruí-la.
Essa é a Lei da Vida. Não tem como fugir dela; mais cedo, ou mais tarde, ela vai te procurar (e vai encontrar), tenha certeza.
Luiza L. Maciel

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